sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O DESENVOLVIMENTO DO CONHECIMENTO LINGUÍSTICO – DISCURSIVO: O QUE SE APRENDE QUANDO E APRENDE A ESCREVER?

Maria da Graça Costaval

Grupo: Aparecida Miranda;David Gabriel;Janilda Izabel;Joana D´Arc

Nas relações entre texto e suas condições de produção, há especificidades que diferem os gêneros discursivos orais dos escritos, de modo que há um conhecimento lingüístico-discursivo específico a se desenvolver quando se aprende a escrever.
Marcuschi diz que não é pertinente polarizar as diferenças entre a fala e a escrita
 “O texto é função de suas condições de produção”. Tanto na fala como na escrita, a explicitude, a autonomia, o grau de formalidade, enfim, a configuração conceitual e formal do texto resulta da interação do produtor com as circunstâncias do processo interlocutivo em que se engaja.
            A maioria das situações de interação verbal do cotidiano se caracteriza pela presença dos interlocutores, pela coloquialidade e pelo alto grau de cooperação mútua e conhecimentos partilhados.
            Nessas condições, é normal que se tomem como das informações advindas do contexto imediato, percebidas concomitantemente pelos interlocutores,  e que se utilizem, junto com as formas lingüísticas segmentais, recursos prosódicos, gestos, movimentos, expressões faciais. A grande e decisiva diferença da escrita com relação às situações de fala é a distância física entre os interlocutores. Em geral no texto escrito a preocupação maior é a ordenação e articulação dos temas. Tende-se a lexicalizar informações que poderiam ser expressas por recursos não-verbais no texto falado.
            A produção de texto tanto falado quanto escrito apresenta diversas situações de produção, nas quais a práxis social vai estabelecendo diferentes gêneros discursivos. Como explica Bakhtim  “cada esfera de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados – os gêneros do discurso”.
            Vivendo em sociedades letradas, em geral, mesmo antes de saberem ler e escrever, as crianças já formulam hipóteses quanto à configuração e ao funcionamento de alguns gêneros discursivos escritos, em função da interação com diversos tipos de impresso e portadores de escrita, das leituras que ouvem e da observação de adultos e crianças leitoras.
            A alfabetização proporciona a condição básica de acesso ao “mundo da escrita”, mas deveria levar as crianças a desenvolver se conhecimento lingüístico-discursivo dos gêneros escritos, assim como o fazem, intuitiva e  assistematicamente, com gêneros orais. Diante dessa realidade é papel do professor de Português, criar oportunidades de exercício efetivo da leitura e da escrita e na orientação de reflexões sistemáticas sobre os recursos composicionais e expressivos mais usuais nos gêneros discursivos escritos.
            O processo de produção textual segundo Castilho é constituído de três atividades básicas e inter-relacionadas: A “situação”, que consiste na avaliação e tomada de posição do produtor diante das circunstâncias da interlocução: a “cognição”, que inclui a ativação, geração e articulação dos conhecimentos necessários e pertinentes àquele processo interlocutivo: e a “verbalização”, que é tradução em palavras dessas operações mentais, através da estruturação gramatical e semântica dos enunciados que vão compondo o texto. Além disso, a produção textual envolve um constante monitoramento que vai sendo produzido (retifica ou ratifica o planejamento, reformulações na orientação argumentativa) do surgimento de novas idéias ou novos modos de compreender o tema em foco.
            A produção de discurso escrito segundo Cooper & Matsuhashi é uma atividade quase totalmente consciente, muito pouco automatizada, que requer do sujeito esforço de planejamento deliberado e focal. De acordo com Vygotsky a transformação do discurso interior em escrita requer a “estruturação deliberada do fluir do significado”.
            Na comunicação face a face, o interlocutor faz as reformulações simultaneamente
ao processo de construção. No texto escrito o leitor espera interagir com o produto acabado. O discurso escrito tende a ser mais autônomo, mais independente do contexto do que o texto oral. Segundo Castilho a língua falada considera “o modo pragmático” e a escrita “ o modo sintático” da linguagem.
            Produzir um texto envolve a construção de superestrutura que é a forma ou esquema global constitutivas de determinado tipo de discurso. Macroestrutura semântica: seleção, ordenação e articulação dos temas  ou tópicos do discurso; Microestrutura: segundo Bakhtin escolhas lexicais e a estruturação sintática dos enunciados.
            Para Bakhtin nesse plano há uma padronização histórica e socialmente sedimentada, em função da prática lingüística dos falantes. Os aprendizes da escrita apresentam dificuldade   de produzir uma imagem adequada do leitor e das condições de leitura de texto, eles podem também desconhecer muitos dos gêneros discursivos escritos que circulam na sociedade, necessitando, pois, de modelos que orientem a elaboração de seus próprios textos.
            A partir desses postulados, pode-se, então, concluir, quem há um trabalho a ser realizado pelo professor de Português no sentido de tornar explicitas para os alunos as especificidades dos processos de produção dos diversos gêneros discursivos escritos, com vistas a ampliar suas possibilidades de expressão verbal.   

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